Rede Argonautas

Muito além da teoria geopolítica acerca do mais recente conflito entre israelenses e palestinos, que vem transformando a Faixa de Gaza e seus arredores não só num campo de guerra, mas num palco de atrocidades contra civis de ambos os lados, principalmente crianças, mulheres e idosos, está a questão humanitária, a dimensão da dignidade humana, o compromisso dos demais líderes do mundo em trabalhar a política internacional, as relações internacionais, em favor da mediação e de soluções pacíficas e diplomáticas entre as nações. Tanto Israel quanto a Palestina têm responsabilidades sobre o atual cenário lastimável de mortes e desespero no qual palestinos e israelenses se encontram.

Nosso intento, na realidade, é expor nossa tristeza, nossa dor, nossa indignação ante o assombro que tomou conta dos corpos e dos espíritos de tantos inocentes e que vem mobilizando sentimentos que ressoam pelos quatro cantos do mundo a realidade trágica da guerra. Se Clifford Geertz nos ensina sobre o mundo em pedaços, que a teoria política, que aborda questões universais e permanentes a respeito do poder, da obrigação, da justiça e do governo em termos gerais e incondicionais, a verdade sobre as coisas, tais como no fundo sempre são em toda parte, é uma resposta específica a circunstâncias imediatas, as imagens que nos chegam indiscriminadamente e muitas vezes sem o alerta sobre gatilhos emocionais, espedaçam a alma do que resta de humanidade na humanidade. Deste lado do mundo, que é apenas um, ouvimos os gritos e clamores das crianças no Oriente Médio.

Permitimo-nos expressar uma defesa da vida e da dignidade das crianças, dos jovens e de suas famílias, que devem encontrar proteção e consolo, mesmo nos fogos da guerra, não nesse caos criminoso em que seus corpos e corações estão sendo dilacerados. Pois o mundo inteiro é testemunha e não pode ser passivo, mas deve ver e lutar para que as crianças e os jovens tenham um presente e um futuro restaurados. É preciso por fim à tragédia humana das crianças presas no decreto da guerra e das atrocidades que lhes rouba a água, o ar, o pão, o sono, a confiança, o riso e a calma de saber que estarão seguras. Não poderemos, jamais, nos habituar com a miséria do mundo… Paz!

Fotografia: Thais Siqueira

Mucho más allá de la teoría geopolítica que rodea el conflicto más reciente entre israelíes y palestinos, que ha convertido la Franja de Gaza y sus alrededores no sólo en un campo de guerra, sino en un escenario de atrocidades contra civiles de ambos bandos, especialmente niños, mujeres y ancianos, está la cuestión humanitaria, la dimensión de la dignidad humana, el compromiso de los demás líderes del mundo de trabajar en la política internacional, en las relaciones internacionales, a favor de la mediación y de soluciones pacíficas y diplomáticas entre las naciones. Tanto Israel como Palestina son responsables del terrible escenario actual de muerte y desesperación en el que se encuentran palestinos e israelíes.

Nuestra intención, en realidad, es exponer nuestra tristeza, nuestro dolor, nuestra indignación ante el estupor que se ha apoderado de los cuerpos y los espíritus de tantos inocentes y que ha movilizado sentimientos que resuenan en todo el mundo ante la trágica realidad de la guerra. Si Clifford Geertz nos enseña sobre el mundo en pedazos, que la teoría política, que aborda cuestiones universales y permanentes sobre el poder, la obligación, la justicia y el gobierno en términos generales e incondicionales, la verdad sobre las cosas tal y como son en todas partes, es una respuesta específica a circunstancias inmediatas, las imágenes que nos llegan indiscriminadamente y a menudo sin avisar sobre desencadenantes emocionales, destrozan el alma de lo que queda de humanidad en la humanidad. En este lado del mundo, que es sólo uno, escuchamos los gritos y clamores de los niños de Oriente Medio.

Nos permitimos expresar una defensa de la vida y de la dignidad de los niños, de los jóvenes y de sus familias, que deben encontrar protección y consuelo incluso en los fuegos de la guerra, no en este caos criminal en el que se desgarran sus cuerpos y sus corazones. Porque el mundo entero es testigo y no puede permanecer pasivo, sino que debe ver y luchar para que los niños y los jóvenes tengan un presente y un futuro restaurados. Debemos poner fin a la tragedia humana de los niños atrapados en el decreto de la guerra y las atrocidades que les roba el agua, el aire, el pan, el sueño, la confianza, la risa y la calma de saber que estarán a salvo. Nunca podremos acostumbrarnos a la miseria del mundo… ¡Paz!

Foto: Thais Siqueira

Far beyond the geopolitical theory surrounding the most recent conflict between Israelis and Palestinians, which has been transforming the Gaza Strip and its surroundings not only into a field of war, but into a scene of atrocities against civilians on both sides, especially children, women and the elderly, there is the humanitarian issue, the dimension of human dignity, the commitment of other world leaders to work on international politics, international relations, in favor of mediation and peaceful and diplomatic solutions between nations. Both Israel and Palestine bear responsibility for the current pitiful scenario of death and despair in which Palestinians and Israelis find themselves.

Our intention, in reality, is to expose our sadness, our pain, our indignation at the astonishment that has taken over the bodies and spirits of so many innocent people and that has been mobilizing feelings that resonate throughout the four corners of the world the tragic reality of war. If Clifford Geertz teaches us about the world in pieces, that political theory, which addresses universal and permanent questions about power, obligation, justice and government in general and unconditional terms, the truth about things, such as in background are always everywhere, it is a specific response to immediate circumstances, the images that reach us indiscriminately and often without warning about emotional triggers, shatter the soul of what remains of humanity in humanity. On this side of the world, which is only one, we hear the screams and cries of children in the Middle East.

We allow ourselves to express a defense of the lives and dignity of children, young people and their families, who must find protection and consolation, even in the fires of war, not in this criminal chaos in which their bodies and hearts are being torn apart. For the whole world is a witness and cannot be passive, but must see and fight so that children and young people have a restored present and future. It is necessary to put an end to the human tragedy of children trapped in the decree of war and atrocities that robs them of water, air, bread, sleep, trust, laughter and the calm of knowing that they will be safe. We will never be able to get used to the misery of the world… Peace!

Photography: Thais Siqueira


Cestaria no Mercado Ver o Peso. Belém do Pará - Brasil (2010). Foto: Anderson Tibau
Diários de Bordo. Museu-da Patagônia Francisco P. Moreno. Argentina (2010). Foto: Anderson Tibau
Cerâmicas na Casa Pueblo. Uruguai, 2012. Foto: Anderson Tibau
Santuario con ofrendas en el Cerro San Cristóbal en Santiago. Chile, 2010. Foto: Anderson Tibau
Mural serigrafia. Paraguai, 2012. Foto: Anderson Tibau.
Pintura nativa no mercado de Otavalo. Equador, 2011. FotoAnderson Tibau.
Murais em Bogotá. Colômbia, 2006. Foto: Anderson Tibau
Isla Saona. República-Dominicana, 2010. Foto: Anderson Tibau
Alunos visitando feira de livros. Cuba, 2012. Foto: Anderson Tibau
Muralismo Maya. México (2012). Foto: Anderson Tibau
Cestaria no Mercado Ver o Peso. Belém do Pará - Brasil (2010). Foto: Anderson Tibau
Diários de Bordo. Museu-da Patagônia Francisco P. Moreno. Argentina (2010). Foto: Anderson Tibau
Cerâmicas na Casa Pueblo. Uruguai, 2012. Foto: Anderson Tibau
Santuario con ofrendas en el Cerro San Cristóbal en Santiago. Chile, 2010. Foto: Anderson Tibau
Mural serigrafia. Paraguai, 2012. Foto: Anderson Tibau.
Pintura nativa no mercado de Otavalo. Equador, 2011. FotoAnderson Tibau.
Murais em Bogotá. Colômbia, 2006. Foto: Anderson Tibau
Isla Saona. República-Dominicana, 2010. Foto: Anderson Tibau
Alunos visitando feira de livros. Cuba, 2012. Foto: Anderson Tibau
Muralismo Maya - México - 2012
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Cestaria no Mercado Ver o Peso. Belém do Pará - Brasil (2010). Foto: Anderson Tibau
Diários de Bordo. Museu-da Patagônia Francisco P. Moreno. Argentina (2010). Foto: Anderson Tibau
Cerâmicas na Casa Pueblo. Uruguai, 2012. Foto: Anderson Tibau
Santuario con ofrendas en el Cerro San Cristóbal en Santiago. Chile, 2010. Foto: Anderson Tibau
Mural serigrafia. Paraguai, 2012. Foto: Anderson Tibau.
Pintura nativa no mercado de Otavalo. Equador, 2011. FotoAnderson Tibau.
Murais em Bogotá. Colômbia, 2006. Foto: Anderson Tibau
Isla Saona. República-Dominicana, 2010. Foto: Anderson Tibau
Alunos visitando feira de livros. Cuba, 2012. Foto: Anderson Tibau
Muralismo Maya - México - 2012
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Dos álbuns de fotos de expedições à Patagônia argentina no início de Século XX ao muralismo Maya de 300-900 d.C. no México, passando pelo detalhe de uma praia caribenha, a luz escrita revela entre natureza e cultura, cores e texturas de variados universos, ancestrais e contemporâneos, nativos e urbanos, da nossa América Latina. As fotografias foram feitas entre os anos de 2006 e 2012 em viagens pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Equador, Colômbia, República Dominicana, Cuba e México.

A Rede Argonautas de Pesquisadores em Antropologia e Educação é uma construção de antropólogos que buscam conceber a Antropologia e a Educação como campos de conhecimento em diálogo no mundo. Objetiva estabelecer trocas acadêmicas com pesquisadores do Brasil e de outros países, bem como agregar resultados de pesquisas, divulgar publicações e eventos relativos ao tema e indicar links, entre outros suportes tecnológicos que permitam visibilizar nossos saberes e fazeres com sabor e arte. O interesse maior é o de possibilitar diálogos em profundidade que permitam consolidar a interface Antropologia e Educação, em termos de campos propositivos, compreensivos e críticos.

Há cem anos Bronislaw Malinowski se inspiraria na Argonáutica, de Apolônio de Rodes, para nos inspirar com inquietação e uma provocação: “cirkular é preciso”! Não temos dúvida que um outro leitor em Pessoa, um navegante moderno português, ratificaria: navegar é preciso! Afinal, navegar é uma ação, um ato de coragem, um risco. E viver sem coragem, sem arriscar-se, sem sonhar, sem partilhar, enfim, sem trocar experiências não é preciso. E Argonautas fazem e se propõem a fazer, trocar experiências, navegar, sonhar, arriscar-se. Como também já o disse Rosa, outro viajante das Gerais: viver é um risco! 

Convidamos todas as pessoas a dialogar conosco! Uma antropologia que se pretende ou se propõe menos a ensinar e mais a aprender. Sugerimos que os estudos antropológicos como “uma forma de viver junto com os outros, é inteiramente educacional”.

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“Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas.” Darcy Ribeiro

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